"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Clarice Lispector
Será que é a paixão ou todo mundo sente assim?!?!?!?
14 março 2008
04 março 2008
Falo de ti
"Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que é louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;
Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;
Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!
E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!"
Florbela Espanca
E ao sol que é louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;
Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;
Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!
E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!"
Florbela Espanca
03 março 2008
Leveza, certamente...
À parte conceitos de peso e leveza que já vi e revi (em artes principalmente), realmente acho que prefiro a leveza... Ou talvez preferir nem seja o termo adequado...
Mas fiquemos com ele, por hora!
Por que a leveza?
Bem... simplesmente porquê é leve, eu poderia dizer. Ou porquê me leva além, eu poderia pensar.
Mas honestamente, o que me atrai na leveza, é que quando penso nela, penso no riso, nas flores, no amor dos amores, no dia perfeito, na comida gostosa, na música que encanta, no filme que apaixona... Quando penso em leveza, penso em felicidade... aquela coceguinha boa que aparece quando o mais do mais simples nos é revelado: sim, viver é isso.
E mais um pouco...
Mas fiquemos com ele, por hora!
Por que a leveza?
Bem... simplesmente porquê é leve, eu poderia dizer. Ou porquê me leva além, eu poderia pensar.
Mas honestamente, o que me atrai na leveza, é que quando penso nela, penso no riso, nas flores, no amor dos amores, no dia perfeito, na comida gostosa, na música que encanta, no filme que apaixona... Quando penso em leveza, penso em felicidade... aquela coceguinha boa que aparece quando o mais do mais simples nos é revelado: sim, viver é isso.
E mais um pouco...
23 fevereiro 2008
Peso ou leveza?
"Não faz muito tempo, flagrei-me experimentando uma sensação absolutamente inacreditável. Folheando um livro sobre Hitler, comovi-me com alguns de seus retratos: lembravam minha infância. Eu cresci durante a guerra; vários membros de minha família pereceram nos campos de concentração de Hitler; mas o que foram suas mortes comparadas às memórias de um período já perdido de minha vida, um período que jamais retornaria?
Essa reconciliação com Hitler revela a profunda perversidade moral de um mundo que repousa essencialmente na inexistência do retorno, pois, num tal mundo, tudo é perdoado de antemão e, portanto, cinicamente permitido.
Se cada segundo de nossas vidas repete-se infinitas vezes, somos pregados à eternidade feito Jesus Cristo na cruz. É uma perspectiva aterrorizante. No mundo do eterno retorno, o peso da responsabilidade insuportável recai sobre cada movimento que fazemos. É por isso que Nietzsche chamou a idéia do eterno retorno o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).
Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, então nossas vidas contrapõem-se a ele em toda a sua esplêndida leveza.
Mas será o peso de fato deplorável, e esplêndida a leveza?
O mais pesado dos fardos nos esmaga; sob seu peso, afundamos, somos pregados ao chão. E, no entanto, na poesia amorosa de todas as épocas, a mulher anseia por sucumbir ao peso do corpo do homem. O mais pesado dos fardos é, pois, simultaneamente, uma imagem da mais intensa plenitude da vida. Quanto mais pesado o fardo, mais nossas vidas se aproximam da terra, fazendo-se tanto mais reais e verdadeiras.
Inversamente, a ausência absoluta de um fardo faz com que o homem se torne mais leve do que o ar, fá-lo alçar-se às alturas, abandonar a terra e sua existência terrena, tornando-o apenas parcialmente real, seus movimentos tão livres quanto insignificantes.
O que escolheremos então? O peso ou a leveza?"
Milan Kundera, em "A Insustentável Leveza do Ser".
Essa reconciliação com Hitler revela a profunda perversidade moral de um mundo que repousa essencialmente na inexistência do retorno, pois, num tal mundo, tudo é perdoado de antemão e, portanto, cinicamente permitido.
Se cada segundo de nossas vidas repete-se infinitas vezes, somos pregados à eternidade feito Jesus Cristo na cruz. É uma perspectiva aterrorizante. No mundo do eterno retorno, o peso da responsabilidade insuportável recai sobre cada movimento que fazemos. É por isso que Nietzsche chamou a idéia do eterno retorno o mais pesado dos fardos (das schwerste Gewicht).
Se o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, então nossas vidas contrapõem-se a ele em toda a sua esplêndida leveza.
Mas será o peso de fato deplorável, e esplêndida a leveza?
O mais pesado dos fardos nos esmaga; sob seu peso, afundamos, somos pregados ao chão. E, no entanto, na poesia amorosa de todas as épocas, a mulher anseia por sucumbir ao peso do corpo do homem. O mais pesado dos fardos é, pois, simultaneamente, uma imagem da mais intensa plenitude da vida. Quanto mais pesado o fardo, mais nossas vidas se aproximam da terra, fazendo-se tanto mais reais e verdadeiras.
Inversamente, a ausência absoluta de um fardo faz com que o homem se torne mais leve do que o ar, fá-lo alçar-se às alturas, abandonar a terra e sua existência terrena, tornando-o apenas parcialmente real, seus movimentos tão livres quanto insignificantes.
O que escolheremos então? O peso ou a leveza?"
Milan Kundera, em "A Insustentável Leveza do Ser".
21 fevereiro 2008

Tudo Novo de Novo
"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos
Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos"
Paulinho Moska
É, acho que a dualidade e o paradoxo sempre existiram e sempre existirão em mim (e no mundo?). Mas aquela separação, aquelas duas personagens que se alternavam em mim (vide post um pouco abaixo), bem, uma delas foi-se... feliz de poder dar lugar a outra(s), feliz por poder começar tudo novo de novo...
18 fevereiro 2008
04 fevereiro 2008
Redescobrindo os clássicos...
Tempo de mudança é sempre tempo de futuro e de passado, simultaneamente...
E com isso, redescubro os clássicos! E também graças a uma pessoa única que surgiu na minha vida!!!
Delicie-se!!!
PS: só clicar no título
E com isso, redescubro os clássicos! E também graças a uma pessoa única que surgiu na minha vida!!!
Delicie-se!!!
PS: só clicar no título
02 fevereiro 2008
Duas Vidas
Muitas vezes, sinto que as coisas não terão solução. Como se tudo que acontecesse fosse findável em si mesmo, e não como se, mesmo findo, algo novo surgirá e a vida seguirá seu rumo.
Sinto como se vivesse uma vida dupla.
Na primeira eu ainda sinto todas as emoções de meu coração partido, a dor infindável da separação, do amor que continua a pulsar em mim, de todos os planos que não aconteceram, de todos os desejos que ficaram pra trás, de toda fé depositada que agora é sem lugar... Dor que não diminui, que não passa, que persegue e inferniza. Dor que consome e parece tomar-me inteira, completa, como se não houvesse nada a mais, nada além. Dor pelo que não aconteceu, pelo o que não vivi ao lado dele, dor por aquilo que nunca chegaremos a ser.
Na segunda sou uma pessoa totalmente nova. Segura, com força de vontade e coragem, sigo em frente sem olhar pra trás. Vivo um dia de cada vez, lamentos, fazendo sempre o melhor que posso. Tento ser a melhor mãe, a melhor artista, a melhor empresária, a melhor estagiária, a melhor dona de casa, a melhor amante... Tudo me impulsiona pro futuro, pro que há além, pras possibilidades e novas oportunidades. Riscos não são problema, pois se existem, valem a pena. Sinto que vivo e que quero viver, sem me prender ao que de ruim me aconteceu.
As duas vidas coexistem, e alternam-se com uma frequencia absurda. Quando estou em uma, a outra não deixa de existir, apenas se esconde por hora... e acaba sempre retornando...
A esperança é apenas uma delas sobreviva... de preferência aquela que me leva pro infinito...
Sinto como se vivesse uma vida dupla.
Na primeira eu ainda sinto todas as emoções de meu coração partido, a dor infindável da separação, do amor que continua a pulsar em mim, de todos os planos que não aconteceram, de todos os desejos que ficaram pra trás, de toda fé depositada que agora é sem lugar... Dor que não diminui, que não passa, que persegue e inferniza. Dor que consome e parece tomar-me inteira, completa, como se não houvesse nada a mais, nada além. Dor pelo que não aconteceu, pelo o que não vivi ao lado dele, dor por aquilo que nunca chegaremos a ser.
Na segunda sou uma pessoa totalmente nova. Segura, com força de vontade e coragem, sigo em frente sem olhar pra trás. Vivo um dia de cada vez, lamentos, fazendo sempre o melhor que posso. Tento ser a melhor mãe, a melhor artista, a melhor empresária, a melhor estagiária, a melhor dona de casa, a melhor amante... Tudo me impulsiona pro futuro, pro que há além, pras possibilidades e novas oportunidades. Riscos não são problema, pois se existem, valem a pena. Sinto que vivo e que quero viver, sem me prender ao que de ruim me aconteceu.
As duas vidas coexistem, e alternam-se com uma frequencia absurda. Quando estou em uma, a outra não deixa de existir, apenas se esconde por hora... e acaba sempre retornando...
A esperança é apenas uma delas sobreviva... de preferência aquela que me leva pro infinito...
04 janeiro 2008
Ainda...
O post abaixo ainda tá valendo...
mesmo com a virada do ano...
...enfim...
...só resta esperar passar...
mesmo com a virada do ano...
...enfim...
...só resta esperar passar...
03 dezembro 2007
Calma, vai passar...

"Calma. Vai passar.
Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas agüenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. (Fernando Pessoa escreveu, num momento parecido, "hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu")
Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai agüentar, mas agüenta:as dores da vida.
Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás.
Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe.
A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada,isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar.Quando você for ver, passou.
Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: "É melhor viver do que ser feliz". Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai.Dói,ai,eu sei como dói. Mas passa.
Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o unico jeito de deixá-la pra trás é continuar andando.
Você vai ser feliz.
Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha?
Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade.
Eu não minto. Vai passar."

É... TENHO QUASE CERTEZA DE QUE VAI PASSAR...
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